Sábado, 5 de Março de 2011

flores




Àquilo que nos convém aprovar ou designar, nunca se formará o essencial e subterrâneo mas o patético e freudiano esgar pífio de uma primavera estuprada por estereótipos e vilipendiada por bandidos fardados de roupa barata. as flores da primavera somente poderão ser colhidas num único acto,
uma meia enfiada numa mão de algo sagrado,posta a ventrilocar umas anedotas ou mudas, ou chilreadas.

MENTIRA ÚTIL

enquanto as essências divinas escorrem abjectamente subjectivas apenas em predicados de cabeleiras brancas onde se aninham pássaros esquálidos, sem rigor

essas andorinhas sebentas que nos mostraram a beleza agnóstica, puramente escondida nos baús por entre cabelos brancos e caspa, equivalendo a inalcançada, longe, arredada, mesmo dolorosa

O ESPLÊNDIDO INFERNO DA MENTE

nossos cabelos de velho e nossa morte de bengala asada entre gritos de pedidos para facilitar uma papinha mastigada

Oh! Como estes pássaros nos abandonam vincando em seus bicos para as dimensões da diferença, os desejos dos quais são uma parcela ainda livre de juventude eterna

invejamo-los pois são os reflexos queridos de quando jogávamos à bola no jardim da escola

e lhes temos ódio por nos recordarem que uns cadáveres tiveram asas.

Terça-feira, 1 de Março de 2011

devaneios de segunda feira


entende-se como uma evolução natural da sociedade, ou auto-regulação do seu modo, como a dependência e extrapolação directa do dinamismo essencial e endógeno da sua psyche colectiva a partir da psyche ela mesma anterior e apriori da formulação dos valores. A organização social é um acidente ou suficiência decorrente da necessidade ela mesma, de o ser humano se constituir em primeiro lugar nos recantos recessos da sua herança animal.
seguindo uma atenção mais pragmática do que puramente essencial, a sociedade produz-se quase irracionalmente num corpo que precisa dessa manifestação de si, como prova da vitória sobre a animalidade. A construcção disto é natural na medida em que pretendendo derrotar ao mesmo tempo que efectiva, se tornou a factualidade mediata por outros e mais instintivos poderes que se regojizam no falso da questão - a única forma da apresentação real se multiplicar e permitir a inclusão de mais do que um.

a formulação natural da sociedade respeita, e opera, em função da natureza ou suficiente da matéria orgânica e colectiva se aproximar de uma estética visível e atreita a macacos loucos e aves do paraiso, uma instintividade perversa que simplifica tudo o resto em pormenores supérfluos ou dadores de sentido, que têm o seu decalque directo ou menos directo no ajuntamento abusivo e esquizofrénico e no urbanismo anguloso e tangente de que se veste a máscara fidedigna das identidades, sem saberem bem porquê.

a irracionalidade chega a um ponto onde se torna exequível, ou se assemelha a uma forma organizada.

como se administram em paradigmas de inocuidade transcendental, os planos sociais são os meros esqueletos de um plano onde a própria natureza está além dos valores, onde são quase automáticas essas manifestações de hipocrisia lida em facto e expressa num modo de organização sujeita e masoquista, empurrada pelos pés dos donos de mercearia, um aposteriori directo na sua simplicidade e pouco permissivo no seu âmbito, estranhamente submisso a um que virá depois em braçadas por onde os adivinhos não andam, mandam no futuro acentuar em cortejo de animais escondidos, mais de cem por cento.

Depois virá a vida, nisto que vive do que si produz, o sentido mesmo desse posteriori que segurou a colher de sopa para se pentear, bem-comportado que até consegue o que se vai oferecer em análise concreta, uma noite feita de branco...